domingo, 8 de outubro de 2017

E não compreendo...














São rápidos os teus passos. Move-te uma vontade feita de dor e esperança. São cinco. Cinco as velas que trazes na mão, agora. Entregas a cada um uma e sobes o enorme espaço onde nos encontramos. Há um terço pendurado, feito de enormes bolas de ping-pong, a lembrarem-me a arrogância e a petulância de alguém que levaria ipads para uma ilha deserta. A inconsciência transformou-se, agora, em ping-pong religioso.

Caminhamos todos para o topo. Não sei, ainda, para quê. Ali, muito perto, há pessoas-quase-penitentes que percorrem, de joelhos, outros deitados, esta pequena estrada, agora de pedra, até ao que, lá em baixo, será o destino final, cercado pela moldura quadrada de gente que quer uma vida melhor, menos desgosto, mais sol na vida. Vejo o que fazes a seguir. Olhas o fundo, ajoelhas-te. E deixo de compreender. Aquele corredor esbranquiçado torna-se num percurso onde me cresce a incompreensão, a raiva, a revolta e a admiração pelo que te leva a fazeres o que vais fazer. A meio do caminho já as lágrimas te caem pelo esforço. As gotas quentes da vela que trago na mão não param de cair. Tocam-me nas mãos, na sacola da máquina que nunca chegarei a utilizar. E a tua mão vai pedindo a minha e é o chão que te ampara, quando paras, a cabeça. Aumenta o desconforto. Também Ele sofreu por nós. Não teria sido o suficiente, hoje? Levanta-te… Não te quero a sofrer. Não compreendo. E aumenta-me a raiva de mim próprio. As paragens começam a ser cada vez mais frequentes, o contacto com o chão também. Não compreendo. E há algo em mim que se parte. Penso no que queria e, aos poucos, vou deixando de querer. Não quero que passes isto por mim. Não quero que passes isto por mim… A sensação de impotência é esmagadora. Estalam-me todos os momentos em que me deixei ir pela cobiça. Caminho devagar, de pés assentes na terra. Caminhas devagar, de joelhos bem assentes na estrada de pedra, infindável. E paras. Uma. Duas. Três… Várias vezes. Até chegarmos ao fim deste pequeno corredor, preenchido pelas lágrimas de todos os que te acompanham. E a criança-outrora que trazias nos braços quer segurar os teus. Mas há uma força que não tem e que é necessária.

E há esta senhora que sai do local onde se encontra e rapidamente vai buscar umas toalhas. Há um alívio súbito e verdadeiro. Também no deserto o sentirá o perdido que bebe uma simples gota de água. E chega-se ao destino. Estamos defronte de um altar, por trás de um padre que celebra uma missa, perante dezenas e dezenas de pessoas. Há um cansaço do tamanho do mundo em que mergulhas. Ajoelho-me. E não sei se compreendo. Encostas-te. Pedes-me. Ficar-me-á esta imagem, estas sensações, estes pedidos. Do mais velho caem, de forma contínua, insistente, grossas lágrimas. É muito mais do que apenas só este momento. Muito mais. A seu tempo. E afasto-me dali, rapidamente. Preciso de sair dali. Sento-me encostado a um pequeno pilar e assim fico, a observar. Para tudo isto. Para mim-tudo. E não compreendo. E não me compreendo. Ficará esta imagem gravada. Apenas esta.


E depois o almoço. E depois o regresso, mais rápido. E ficam as piadas para fazer sorrir. Fica uma leve tranquilidade. E a vontade de te não ver a fazer isto.











terça-feira, 8 de agosto de 2017

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Les Voix des 7Lunes (Mediterrâneo)



O grupo presente no terceiro concerto do XXV Festival Sete Sóis Sete Luas é o nome de uma criação artística original, criada propositadamente para este, onde participam cinco talentosos músicos das diversas margens do Mare Nostrum e da Macaronésia. São músicos reconhecidos de Portugal, Cabo Verde, Espanha, Israel e Itália, numa partilha das tradições culturais, cujo resultado são temas inéditos, reveladores da universalidade da cultura.







 

 




sábado, 3 de junho de 2017

Fotogramas Poéticos


"Sábio é o que se contenta com o espectáculo do mundo"

Ricardo Reis






sábado, 6 de maio de 2017

Fotogramas Poéticos

"Sou somente o lugar onde se pensa e sente."

Fernando Pessoa






quinta-feira, 23 de março de 2017

Fotogramas Poéticos

"A vida sem amor é um livro sem letras,
uma primavera sem flores,
uma pintura sem cores."

Augusto Cury








domingo, 12 de março de 2017

Fotogramas poéticos



Caminho por dentro/de ruas que o rio/deixa cor de vento/na maré vazia

- David Mourão Ferreira  - 








sábado, 14 de janeiro de 2017

Fotogramas Poéticos

"Gastei meses a encostar o ouvido à terra do meu corpo..."

- António Lobo Antunes






quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Fotogramas Poéticos

"As I was going up the stair / I met a man who wasn't there. ", The Psychoed

- Hughes Mearns -








Fotogramas Poéticos

"E o herói olhando para o céu / Bradava o futuro é meu!"

- Vítor Hugo, tradução de Mário de Sá Carneiro - 
 




(Retirado de Google Images a foto 3)



Fotogramas Poéticos

"Deus quer, o Homem sonha, a Obra nasce

- Fernando Pessoa -