domingo, 26 de janeiro de 2014

"Partir é morrer um pouco..."


2 comentários:

L.S.A. disse...

Obrigada a sua vinda até á sombra das minhas palmeiras, mas tenho pena que fosse uma passagem rápida, como rápida teve de ser a fotografia, naquele dia.
não era ali a finalidade do meu passeio, era mais longe, mas o pior foi a hora que não era a que desejava, e não poderia ser outra, naquele dia.
Aquela é uma palmeira que nunca pensei fotografar, a que eu queria era outra, que já não existe, mas tenho uma série de fotografias que, quando tiver paciência publicarei.
Obrigada a sua vinda.

Anónimo disse...

O José Luís Peixoto em Agosto de 2013 (posso estar a errar) escreveu na Visão:

«O meu lugar

Quando era pequeno, rodava sobre mim próprio com as pontas dos pés. Rodar-rodar-rodar: as formas a saírem dos contornos, as cores a misturarem-se demasiado rápidas e, depois, ao parar de repente, o chão como um barco debaixo da tempestade, a paisagem inteira a oscilar desgovernada, eu a tentar equilibrar-me e, ao mesmo tempo, criança, a apreciar esse caos. A seguir, a pouco e pouco, o horizonte abrandava e voltava a fixar-se.

Eu tenho um lugar. Por isso, nunca me perco no mundo imenso.

Posso estar a falar com a minha mãe, como há dois dias atrás, e ela diz-me: aquele sobreiro que fica entre o campo da bola e o Monte da Torre. E, entre tantos, eu sei exactamente qual o sobreiro a que se refere. Essa é a precisão com que sei o meu lugar. As ruas, calcetadas com paralelos, suportam o meu pensamento desde que nasci. Em gestos largos, os muros são caiados anualmente porque o branco precisa de renovação, a pureza é uma tarefa permanente.

Esses foram os anos em que viajou pelo mundo inteiro. Não sei que voz irá dizer esta frase sobre a minha vida neste tempo. O mais provável será ser eu próprio a dizê-la: Esses foram os anos em que viajei pelo mundo inteiro. Em qualquer dos casos, essa frase será dita quando já não aguentar o ritmo deste tempo, desta idade em que atravesso oceanos como se rodasse sobre mim próprio. Com os olhos cheios, quando paro de repente, o chão balança, a paisagem ondula. É então que o meu lugar, paz/certeza, me nivela.

Eu tenho um lugar. Por isso, nunca me perco no mundo imenso.
(...)»

Um beijo.